quinta-feira, 3 de setembro de 2009

A principal marca do governo de Uribe


Presidente colombiano encurralou as Farc




Até o início deste século, a Colômbia diferenciava-se do restante da América Latina pela regularidade com que trocava de presidentes a cada quatro anos, pela polarização e solidez de dois partidos, o Conservador e o Liberal, e pela independência das instituições. Álvaro Uribe rompeu com tudo isso. Filiado ao Partido Liberal, desprendeu-se dele para se apresentar em 2002 como candidato independente, disposto a enfrentar a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) com mão de ferro, no que ficou conhecido como a política de "segurança democrática".


Dois contextos, um nacional e um individual, explicam o ímpeto de Uribe. Seu antecessor, Andrés Pastrana, fora humilhado pelas Farc. Cedeu-lhe território desmilitarizado equivalente ao da Suíça para negociar a paz. Em vez disso, as Farc o utilizaram como base de suas operações de guerrilha, sequestros e narcotráfico. E ainda esnobaram Pastrana, não comparecendo a uma reunião com ele. Pastrana esgotou as possibilidades de negociação. No plano individual, Uribe teve o pai morto pelas Farc em 1983, numa tentativa de sequestro.


Com ajuda americana, o presidente reequipou as Forças Armadas, melhorou seu treinamento e seu aparato de inteligência, e, talvez mais importante, deu-lhe prestígio para combater a guerrilha. As Farc foram gradualmente empurradas para as selvas. Vitórias significativas, como a morte do comandante Raúl Reyes, num acampamento no Equador, e a libertação da ex-senadora Ingrid Betancourt, materializaram o êxito de Uribe e dos militares.


Com as estradas livres de guerrilheiros, os fazendeiros voltaram a suas terras e as mercadorias, a circular livremente pelo país e para mercados vizinhos atraentes, como o da Venezuela. A economia passou a crescer a um ritmo de 7% ao ano (interrompido pela crise mundial do ano passado, quando foi de 3,5%). Nesses anos de governo de Uribe, a pobreza diminuiu 20% e o desemprego, 25%.


Formado em direito na Universidade da Antioquia, com especialização em administração de empresas em Harvard e ex-professor-associado em Oxford, Uribe combina uma sólida formação intelectual com a capacidade de falar a língua das pessoas simples, com as quais se reúne com seus ministros nos fins de semana, nos vilarejos mais remotos, para ouvir seus reclamos e ordenar providências. Dotado ainda de coragem física, que provou várias vezes em atentados contra ele, Uribe adquiriu a imagem de "pai" para muitos colombianos. E, como todo pai, é visto como único e insubstituível.


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