quinta-feira, 24 de junho de 2010

GATTACA: A MULETA DA COMUNISTADA

Por Klauber Cristofen Pires

OpiniãoLivre.com.br

Nesta semana assisti ao filme Gattaca - Experiência Genética (1997) exibido pela rede HBO. Interessante o convite à reflexão proposto pelo autor, embora fartamente manipulado por quem deseja fazer da película o argumento para as suas ideologias malsãs. Vale a pena, pois, desmascará-las aqui.

A trama tem como cenário uma sociedade futura onde as crianças têm os seus genes depurados previamente, de modo que assim se evitam as doenças congênitas. Todavia, a discrepância entre a saúde destas e daquelas geradas de forma natural gera uma sociedade de castas, na qual às segundas restam apenas os piores empregos. Ressalte-se a beleza artística da estética sessentista. Era necessário mesmo invocar as dúvidas e os anseios daquele tempo.

O protagonista da história, no entanto, é um homem que nasceu de uma concepção natural, por opção dos seus pais, e para apimentar a história, logo no teste do pezinho se lhe identificam várias probabilidades de problemas hereditários, entre os quais a chance de 99% de ter um ataque cardíaco logo aos 30 anos de idade.

Não satisfeito com o seu destino pré-determinado como faxineiro, e detentor do sonho de ser um astronauta a viajar para a lua Titã, faz-se passar por um cidadão "válido" (os "inválidos" são os provenientes de concepção natural), disfarce que lhe obriga a tomar cuidados diários, como sempre esfregar-se bem nos banhos para "lixar" a pele velha, limpar os objetos para não deixar pistas como suor, cílios ou cabelos, e utilizar-se das amostras de sangue e de urina do seu contratado para os frequentes testes de DNA que a agência espacial em que trabalha lhe exige. Abstraindo-nos dos momentos de suspense, aventura e romance, resta-nos informar que o nosso herói consegue se superar e logra o seu sonho regado desde a infância.

Dada a história como se apresenta, recomendo aos leitores buscarem na internet para perceberem que a maioria esmagadora das resenhas - e até alguns artigos de sociologia - se nutrem do enredo para descer o pau na sociedade capitalista que "discrimina e exclui as pessoas". Há várias inconsistências, porém, em tal raciocínio. É o que veremos:

Por primeiro, não é necessário que haja uma separação científica - digo, genética - para que algumas profissões requeiram bom estado físico. Isto é natural. No caso, o rapaz comete uma fraude grave que pode resultar no prejuízo de toda a operação, e talvez com perigo para os seus co-tripulantes. E se ele tem um treco no coração lá no espaço?

Em segundo lugar, os humanos podem nascer naturalmente com excelentes predisposições genéticas. Logo, não há um critério "a priori" para estabelecer uma sociedade de castas para classificá-los como "inválidos".

No filme, expõe-se que o mundo tornou-se controlado por grandes conglomerados privados que vieram a se sobrepor aos estados, de modo que desobedecem-lhes ostensivamente quanto à proibição de não discriminar os cidadãos entre "válidos" e "inválidos". Ora, esta asserção é absolutamente arbitrária. O filme em nenhum momento mostra uma relação de causa e efeito que demonstre porque uma futura sociedade seria assim (não que eu necessariamente a deplore). Além disso, uma passada rápida pela história flagra em abundância os estados, e não o setor privado, como o grande realizador de experimentos genéticos, de políticas eugenistas e extermínio de indesejáveis.

Ademais, por que haveria de ocorrer aos futuros cidadãos apenas a opção ter de procurar por empregos? Isto é característico de sociedades socialistas, não capitalistas. Por mais "inválido" que fosse o protagonista do filme, nada impediria que ele pudesse, por exemplo, ser um renomado médico, até às 23h59min dos seus vinte e nove anos.

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