sábado, 5 de dezembro de 2009

Agora é para Valer

Por Maria Lúcia Victor Barbosa

Parlata.com.br

Lula da Silva é saudado internacionalmente como um homem da “esquerda herbívora”, um moderado, um conciliador. Sempre fazendo piadas, usando metáforas futebolísticas, falando bobagem, bem-humorado é como se o presidente fosse o estereótipo do brasileiro, o “homem cordial” de que falou Sérgio Buarque de Holanda.

Para ser mais amado lá fora só faltava Lula ser carioca e não pernambucano aclimatado em São Paulo, porque estrangeiros são loucos pelo Rio de Janeiro de praias paradisíacas cheias de mulheres quase nuas, de povo feito de sol e mar. Para os visitantes bala perdida é pura adrenalina no país do carnaval e do futebol.

Entretanto, se Lula da Silva é o “cara” da “esquerda herbívora”, inofensiva, festiva é estranho que ele viva em idílios políticos com Hugo Chávez, Fidel Castro, Evo Morales e demais ditadores que representam a fina flor da esquerda primata do Terceiro Mundo. Parece que os caras lá de fora têm certa dificuldade em entender o Brasil e seu governante, percebendo apenas superfícies folclóricas e deixando de lado visões mais profundas sobre atitudes, comportamentos e ações que se desenrolam no país real em contraste com o país imaginário.

Sintomática a complacência internacional com o presidente da República e sua diplomacia tangida pelo chanceler de fato, Marco Aurélio Garcia, quando aqui é recebida a figura abjeta de Mahmoud Ahmadinejad, o perigoso fanático que persegue, prende, mata seus opositores; não tolera liberdade de pensamento, religiosa ou das minorias; viola direitos humanos; frauda eleições, apóia grupos terroristas, diz que o Holocausto não existiu e prega de forma obsessiva a destruição de Israel.

Essa figura daninha e monstruosa, rejeitada pelas potências ocidentais que temem que Ahmadinejad desenvolva a bomba atômica, foi agraciado com um convite do “filho do Brasil”, que afirmou que o receberia de braços abertos. No rastro dos salamaleques o ministro da Defesa, Nelson Jobim, afrontou o presidente israelense, Shimon Peres, quando da visita deste ao Brasil no último dia 11, ao dizer de forma arrogante que o Brasil fala com quem quiser. Quem sabe o ministro da Defesa acredita no persa, quando esse hipocritamente afirma em sua carta dirigida “à grande nação brasileira” que é “defensor da justiça, da ternura e da paz no mundo. Por certo Jobim ignora que Ahmadinejad está estendendo cada vez mais sua influência sobre a América Latina, sobretudo, através da Venezuela e da Tríplice Fronteira onde estão bases operacionais do Hezbollah e de outros terroristas.

Muito “terna” a besta-fera do Irã quando nega uma das piores manchas da humanidade, o Holocausto. Será que nosso “herbívoro”, que é a cara do país como ele mesmo disse certa vez, tem noção do que foi esse genocídio? Será que também nega as torturas, indignidades, horrores, mortes, tudo que foi infligido de mais pérfido aos homens, mulheres e crianças que cometeram o único “crime” de serem judeus? Pode ser simplesmente que tudo isso seja indiferente ao cara porque apenas lhe interessa negócios com o Irã, o que faz lembrar o título de um filme passado há muitos anos: “De como aprendi a amar a bomba atômica”.

Afinal, nós também enriquecemos urânio.

Possivelmente a visita de Ahmadinejad, a intromissão do Brasil em Honduras, o antiamericanismo e o antissemitismo do governo petista e seu achego a ditadores, não impedirão que os olhos do mundo Lula da Silva continue como um esquerdista “herbívoro” e cordial. Talvez, apenas a Itália não esteja gostando no momento de ser taxada de fascista pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, mas se resignará a não receber de volta o terrorista Cesare Battisti.

Entretanto, para quem consegue observar certos sinais fica evidente que um processo cuidadosa e lentamente desenvolvido vai transformando a “esquerda herbívora” em “carnívora”. É que para alcançar ao poder mais alto da República o PT, em sua quarta tentativa, deixou de lado a linguagem virulenta, prometeu o paraíso aos ricos e aos pobres, vestiu seu “Lulinha paz e amor” de Armani e domesticou-lhe um pouco as maneiras. Uma vez no poder, uniu-se a gregos e troianos, esbanjou populismo, cooptou partidos e instituições, mandou às favas a ética, dominou o Congresso através de mensalões e outros “benefícios” e agora, chegando à reta final do segundo mandato, recrudesceu o ataque à imprensa e coroou seu domínio com a anulação do STF, conforme ficou demonstrado no caso do terrorista italiano. Com isso, definitivamente, o PT se tornou um partido acima da lei e, assim, sem nenhum pejo, trouxe de volta ao seu alto comando notórios mensaleiros, devidamente abençoados pela candidata Rousseff. Afinal, corruptos são os outros. Ao mesmo tempo, o PT retornou à idéia de Estado ampliado, do discurso requentado da esquerda revolucionária, da crítica ao neoliberalismo que tão bem praticou em sua fase “herbívora”. Não há dúvida de que se a dama de aço ganhar começará a fase “carnívora”. E Lula corre o risco de ouvir de sua escolhida: “Cale-se, você já ficou tempo demais, as rédeas estão conosco, agora é para valer”.

Data de Publicação: 23/11/2009

O FILME DE LULA E A PROPAGANDA CRIMINOSA

por Ipojuca Pontes

OpiniãoLivre.com.br

O articulista Zuenir Ventura, comunista light a serviço da patotagem do cinema novo, reverberou a opinião (“O Globo” 25/11/09) de Luiz Carlos Barreto, quem sabe bolado nos intestinos mentais deste produtor, de que o filme “Lula, o filho do Brasil” (no qual a Globo Filmes, empresa das Organizações Globo, investiu R$ 800 mil) foi produzido “para ganhar dinheiro, sem qualquer objetivo ideológico”. Antes, no mesmo espaço, fazendo marketing disfarçado, Ventura já havia caitituado o filme de Lula, que, segundo ele, iria “mexer com a emoção e encharcar o cinema de lágrimas”.

Por que esse tipo de gente reage à percepção generalizada de que o filme de Lula, estrategicamente amparado pela Secretaria de Comunicação do governo, feito com o aval e o empenho do próprio Lula, é uma peça de propaganda oficial a serviço do deletério culto à personalidade? O que se procura esconder por trás de tal pretensão? A quem se pretende enganar?

(Minha resposta é que para impor seus objetivos de perpetuação de poder os comunistas só acreditam na manipulação dos fatos).

Levantemos alguns dados que não permitem dúvidas quanto ao caráter político-eleitoreiro do filme em foco, um típico exemplar do que na Itália fascista se chamou de “cinema do telefone branco”:

1) A pesquisa em que o filme se baseia - fortemente maquiada - é de autoria da “companheira” petista Denise Paraná, assessora política na campanha do ex-sindicalista contra Collor de Mello, em 1989;

2) A editora do livro, que financiou a pesquisa, é nada menos que a facciosa Fundação Perseu Abramo, organismo criado pelo PT para dar “suporte ideológico” aos “companheiros de jornada”, em geral com verbas dos cofres públicos;

3) A logística financeira do projeto milionário, segundo informa “Veja” (25/11/09), é do homem de propaganda do governo, o ex-guerrilheiro Franklin Martins, “que teve influência decisiva na captação de recursos” tomados de empresas privadas dependentes do BNDES, banco dominado pelo governo petista;

4) O produtor do “bom negócio” é Luiz Carlos Barreto, velho predador dos cofres oficiais, que já se disse preso político e eleitor de Lula, embora de fato seja um ex-praça do corpo de Fuzileiros Navais com passagem pelos pântanos pouco ortodoxos de “O Cruzeiro”;

5) A linha de aberto culto à personalidade adotada pelo filme, seguindo modelo stalinista, faz de Lula uma cruza de santo com herói predestinado, tal qual um novo Moisés bíblico a abrir mares e levar os deserdados à terra da promissão. Neste sentido, convém lembrar que o publicitário oficial Duda Mendonça andou “burilando” a peça;

6) Embora o aval de Lula e os direitos de filmagens estivessem cedidos desde 2003, a “expertise” da produção programou sua exibição exatamente para 2010, ano de eleições presidenciais, no pressuposto de que o melodrama mistificador seria peça publicitária capaz de influenciar a massa ignara na hora do voto.

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sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

O estranho caso de Dr. Lula e Mr. Chávez

Por Carlos Alberto Montaner

OrdemLivre.Org

Dentro e fora do Brasil há uma crescente desconfiança sobre as verdadeiras intenções políticas de Lula da Silva. O recente convite ao país feito ao presidente Mahmud Ahmadinejad é um péssimo sintoma. O ministro da Defesa iraniano, Ahmad Vahidi, é procurado pela Argentina. Organizou o atentado terrorista contra a AMIA judia em Buenos Aires em 1994. Matou 85 pessoas e feriu mais de 300.Além disso, Ahmadinejad jamais retificou sua ameaça de varrer Israel do mapa.

Por que esse empenho brasileiro em servir aos iranianos em meio aos esforços de Teerã (junto à Venezuela) por coordenar a estratégia diplomática de países hostis ao Ocidente, e de construir armas atômicas? "Essa é outra prova da duplicidade moral de Lula", me disse um diplomata venezuelano que não quis ser identificado. Ao que juntou uma observação irrefutável: "Em 1990, Lula da Silva e Fidel Castro criaram o Fórum de São Paulo para revitalizar a corrente comunista latinoamericana, então totalmente desmoralizada após a derrubada do Muro de Berlim. Nessa família política estão desde os narcoterroristas das FARC e o ELN ao Movimento V República de Hugo Chávez. Reagruparam-nas para dar continuidade ao combate. A única constante ideológica de Lula é sua rejeição ao Ocidente."

Contudo, dentro das fronteiras brasileiras, Lula goza de notável popularidade, porque não se afastou do prudente comportamente econômico traçado por Fernando Henrique Cardoso, seu predecessor no cargo. No Brasil, atua como um democrata empenhado em impulsionar um modelo de desenvolvimento baseado no mercado e no controle privado dos meios de produção, enquanto apoia a inserção crescente de seu país nos mecanismos internacionais do capitalismo global.

Quem é, realmente, Lula da Silva? Um revolucionário terceiro-mundista empenhado em destruir o primeiro mundo e substituí-lo com um planeta socialista regido por líderes briguentos da ala coletivista, como sonham Hugo Chávez e outros delirantes baderneiros dessa família política, ou um social-democrata moderado, dedicado ao desenvolvimento de uma economia de mercado, semelhante à que impera nas 30 nações mais ricas e felizes da Terra?

Receio que seja ambos simultaneamente, como sonhou (literalmente, sonhou) Robert Louis Stevenson em 1886, ao escrever O médico e o monstro, para explicar a dualidade moral de um cientista bondoso que se transformava em um ser agressivo e detestável após tomar uma beberagem que o transformava em outra pessoa. Para Stevenson, o romance era uma metáfora que revelava a luta entre o bem e o mal que existia na natureza de todos os seres humanos.

Estamos diante de Dr. Lula e Mr. Chávez. Quando o presidente brasileiro raciocina com a cabeça, é o Dr. Lula, um homem afável e dotado de senso comum que conhece seus limites e os de seu país, se conduz nos termos da lei e respeita as liberdades individuais. Quando quem manda é o coração, órgão que está à esquerda (como diz Marco Aurélio García, o principal assessor de Lula, procedente do Partido Comunista), comparece Mr. Chávez, o "companheiro revolucionário", um sujeito convencido de que a pobreza do terceiro mundo se deve à rapina dos Estados Unidos e das nações imperialistas, à cobiça dos capitalistas nacionais e estrangeiros, aos injustos termos do intercâmbio, e ao resto do diagnósticos vitimistas desta lamuriosa secta ideológica.

Quando Lula manda com o coração e se torna Mr. Chávez, incita seu Partido dos Trabalhadores, possivelmente sob a influência de seus conselheiros M. A. García e José Dirceu — um guerrilheiro treinado em Cuba e ex-membro do serviço secreto cubano — a colaborar com as narcoguerrilhas colombianas, como revelaram os computadores de Raul Reyes, o comandante das FARC morto em 2008 pelos militares colombianos. Quando é Mr. Chávez, entrega a seu amigo Fidel três pobres boxeadores que haviam pedido asilo no Brasil, ou conspira irresponsavelmente com Mel Zelaya para refugiar o presidente deposto em um recinto diplomático brasileiro em Tegucigalpa, negando (infantilmente) que havia dado sua autorização.

No romance de Stevenson, Dr. Jekyll se suicida, incapaz de sofrer por mais tempo a dor de ser, também, Mr. Hyde. Como terminará Lula da Silva? Suponho que como um respeitado estadista, ainda que secretamente golpeado pela angústia de não saber qual dos dois personagens é realmente.

Carlos Alberto Montaner nasceu em Havana, Cuba. É professor universitário, jornalista e autor de vários ensaios e obras.


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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Congresso de Honduras rejeita a volta de Manuel Zelaya à Presidência


Congresso de Honduras rejeita restituição de Zelaya; Lobo respalda decisão

Folha Online

O Congresso de Honduras rejeitou na noite desta quarta-feira a volta de Manuel Zelaya à Presidência, pondo um fim ao acordo de Tegucigalpa/San José assinado por ambas as partes como saída à crise política. O novo presidente eleito de Honduras, Porfirio Lobo, do opositor Partido Nacional, respaldou a decisão do Parlamento.

Com uma votação por ampla maioria, incluindo os colegas do Partido Liberal, Zelaya foi proibido de retornar ao poder até o fim de seu mandato --em 27 de janeiro de 2010.

Para ser restituído, Zelaya precisava dos votos de 65 dos 128 deputados do Congresso Nacional. No total, 111 deputados votaram contra e apenas 14 a favor. Três deputados não compareceram à votação. Os votos a favor vieram de alguns colegas do Partido Liberal e outros da Unidade Democrática (UD).

A bancada do Partido Nacional votou em bloco contra Zelaya, segundo o líder do grupo conservador, Rodolfo Irías Navas.

O Congresso rejeitou assim o ponto cinco do acordo assinado pelas delegações do presidente deposto e do governo interino de Roberto Micheletti, no dia 30 de outubro, sob patrocínio dos Estados Unidos. O acordo, contudo, já havia sido rejeitado por Zelaya em 6 de novembro --depois do fracasso da formação do governo de unidade e do adiamento da votação do Congresso para depois da eleições de 29 de novembro.

O presidente deposto chamou a decisão do Congresso de "vergonha nacional" e "punhalada armada na democracia", em uma entrevista a rádio Globo, na qual se disse "decepcionado" com a atitude do presidente eleito, que pertence ao Partido Nacional.

"Zelaya já é história", afirmou mais cedo Micheletti em entrevista ao Canal 10 de TV. Ele reassumiu a presidência na quarta-feira, depois de ter passado uma semana afastado para não perturbar as eleições. "O povo respondeu todas as perguntas, como ele havia exigido", completou.

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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

120 dias sob invasão do MST

Pequeno agricultor 'celebra' 120 dias sob invasão do MST

Por José Maria Tomazela

Veja.com

O produtor rural Antonio Aversa Neto, de 46 anos, prepara uma manifestação singela para "comemorar" os 120 dias de invasão de seu sítio em Pederneiras, a 340 km de São Paulo. Com a ajuda de outros sitiantes, ele vai estender uma faixa na frente do Fórum federal de Bauru pedindo justiça.

A área de apenas 31 hectares, considerada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária uma "pequena propriedade produtiva", está invadida desde o dia 6 de agosto por integrantes do Movimento dos Sem Terra (MST) e da Federação dos Agricultores Familiares (Feagri).

O sítio fica encravado no antigo horto florestal de Pederneiras, desapropriado pelo Incra e transformado no Assentamento Aimorés. "Não tinha terra para todos os sem-terra no horto e eles invadiram meu sítio", disse Aversa Neto. Ele foi obrigado a retirar o gado que engordava no pasto e dispensar empregados, mantendo apenas a família do caseiro na área.

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Correa quer extinguir a liberdade de imprensa no Equador

Correa quer lei para regulamentar mídia no Equador

Por Alexandra Valencia

Estadão Online

REUTERS

O presidente do Equador, Rafael Correa, manifestou na terça-feira apoio a um projeto de reforma da mídia que foi recebido com indignação por jornalistas, que acusam o governo de tentar restringir a liberdade de expressão.

O projeto de parlamentares governistas institui uma comissão, controlada pelo governo, com poderes para punir jornalistas que violem regras previstas no projeto de lei.


"É preciso regulamentar e controlar a mídia," disse Correa a jornalistas. "Liberdade sem responsabilidade é libertinagem."

Correa faz críticas frequentes à imprensa, acusando-a de se aliar a grupos empresariais contrários às suas reformas socialistas.

Outros governos de esquerda da América do Sul, com os de Venezuela e Argentina, também adotaram medidas de controle da mídia.

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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

A decadência da diplomacia brasileira


Por Armando Valladares


Em meus artigos anteriores analisei a política do presidente do Brasil, comparando-o a Kerensky porque, do mesmo modo que este último, Lula da Silva foi o mais laborioso colaborador tentando aplanar o caminho para que os comunistas se apoderem dos povos e os escravizem, como vinha pretendendo (inutilmente) com Honduras.

Porém, nesta ocasião se equivocou; suas manobras se espatifaram contra a decisão de um povo valente e decidido, que Lula conspirou para escravizar, e que por defender a liberdade e a democracia não titubeou um só instante em enfrentar o mundo antes que submeter-se ao socialismo do século XXI.

Da mesma forma que Lula da Silva se lançou a fundo, tirando a máscara de moderado e respeitoso das leis, me sinto no dever e na obrigação de denunciar energicamente, de maneira se se quer menos diplomática, sua real natureza. O verdadeiro Lula da Silva é aquele que nos anos setenta se abraçava às guerrilhas terroristas das FARC e apoiava os crimes e torturas a meus compatriotas sob a tirania castrista. Há alguns anos, escrevi um artigo assinalando de maneira irrefutável sua cumplicidade com todos os inimigos da liberdade, com os terroristas e narco-traficantes guerrilheiros colombianos, salvadorenhos, etc. e aqueles planos totalitários do Foro de São Paulo.

Minha denúncia rigorosamente histórica e documentada com nomes, datas e locais, foi mencionada ao então candidato à presidência, Lula da Silva, pelo prestigioso jornalista brasileiro Boris Casoy em seu programa de televisão. Sem argumento, decomposto e iracundo, sua resposta foi chamar-me "picareta de Miami" em 8 de outubro de 2002.

A "moderação obrigada" do presidente brasileiro em seus anos de mandato foi determinada, não por uma mudança em seus sentimentos socialistas, mas pela fortaleza das instituições e do povo brasileiro que não lhe teriam permitido nunca transformar o país em um Estado marxista ao estilo de Cuba ou Venezuela. Com as mãos atadas e não podendo fazê-lo, não se atrevendo nem sequer a tentar, teve de contentar-se em apoiar, em se solidarizar com todos os depredadores de seus povos e, nostálgico de seu sonho frustrado de levar o Brasil ao socialismo chavista do século XXI, fez todo o possível, contribuiu com todas as forças de seus verdadeiros "ideais" empurrando outros países do continente ao modelo social que ele não pôde implantar em seu próprio país.

Daí seu resoluto apoio ao deposto presidente hondurenho Zelaya, um apoio quase doentio que levou o país que representa a violar todos os acordos diplomáticos internacionais. A atuação no caso de Honduras levou a outrora prestigiosa e respeitável diplomacia brasileira ao nível mais baixo, questionável e vergonhoso de sua história, que já muitos analistas qualificam como o Vietnã diplomático do Brasil.

Um editorial do Diario las Américas de 28 de setembro assinala que "o Brasil está violando abertamente em Honduras a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas que foi subscrita em 16 de abril de 1961, e que entrou em vigor depois das ratificações constitucionais correspondentes em 24 de abril de 1961.

A violação consiste em dar refúgio arbitrário na sede de sua missão diplomática em Tegucigalpa ao derrocado presidente Manuel Zelaya, especialmente por estar desde os balcões e sacadas do prédio, com microfone na mão, alentando os que queimaram automóveis e saquearam lojas na capital hondurenha".

Outro artigo da Convenção de Genebra, violado pelo governo do Brasil, o Parágrafo 3º do Artigo 41 da mencionada Convenção de Viena, deixa estabelecido claramente que o que o governo brasileiro está permitindo a Zelaya, desde sua sede diplomática chamando aos enfrentamentos, à violência, à desordem e ao terrorismo é ilegal e uma ingerência, e grosseira intromissão nos assuntos internos de Honduras.

Lula da Silva com sua atuação não está só violando a Convenção de Viena. O prestigioso jurista, diplomata de carreira e coordenador de Pro Justicia, Mauricio Velasco, em uma análise da atual situação na embaixada brasileira publicado no El Heraldo de Honduras, em 24 de setembro, assinala que: "A carta constitutiva da OEA proíbe um hóspede ou exilado em uma sede diplomática a dar declarações políticas a meios de comunicação".

Em 2005, - assinala o advogado Mauricio Velasco - "o deposto presidente do Equador, Lucio Gutiérrez, pediu asilo político na embaixada do Brasil em Quito, (...) lhe foi concedido pelo governo brasileiro sempre e quando não houvesse manifestações de caráter político por parte do senhor Lucio Gutiérrez".

A Organização dos Estados Americanos, OEA, devia se pronunciar sobre estas violações porém não o fará, pois Insulza e o desprestigiado organismo que preside são marionetes de Chávez e dos países da ALBA, cúmplices nesta conspiração contra o heróico povo hondurenho e seus líderes que rechaçam o socialismo (comunismo) do século XXI.

Por que a diplomacia brasileira não atuou com Zelaya como o fez com o deposto presidente Lucio Gutiérrez? Para vergonha dos brasileiros, quem organizou, manejou e decidiu que Zelaya iria para a embaixada do Brasil foi Hugo Chávez, um estrangeiro ditando a política exterior desse país, com o beneplácito do presidente Lula da Silva. Que vergonha! O Senado brasileiro deveria investigar a fundo esses eventos.

Prepotente e desrespeitoso, o presidente brasileiro, em resposta a decisão soberana do governo constitucional de Honduras meses atrás, quando este lhe deu um prazo de 10 dias para definir o status de Zelaya, respondeu que ele ficaria ali até quando a ONU e a OEA quisessem, se esquecendo de que quem mandava em Honduras, por designação constitucional, era o Presidente Micheletti. Lula da Silva diz que não aceitará o resultado das eleições de 29 de novembro em Honduras, porém aceitou o resultado fraudulento do Irã, da Nicarágua, etc.

Quando toda a comunidade internacional está em brasas pelo perigo de uma guerra atômica desencadeada pelo louco do Irã, Lula da Silva declara que falou com Mahmoud Ahmadinejad e que este lhe garantiu que os reatores atômicos eram com fins pacíficos, e que ele, Lula, não tinha porque duvidar disto; e como uma afronta a mais aos brasileiros amantes da liberdade e aos povos civilizados do mundo, convida este terrorista para visitar o país.

Se em Honduras houver derramamento de sangue, mortos e mais episódios de violência e terrorismo, será pela ingerência de Lula da Silva ao permitir, em violação a todas as Leis e convenções internacionais, que o deposto presidente Zelaya continue usando a embaixada do Brasil para seus propósitos políticos e de desestabilização do país.

Armando Valladares, ex-preso político cubano, foi embaixador dos Estados Unidos na Comissão dos Direitos Humanos da ONU. Recebeu a Medalha Presidencial do Cidadão e o prestigioso prêmio internacional de jornalismo ISCHIA 2009. Pintor, escritor, autor do Best Seller mundial "Contra toda a Esperança".

Fonte: Diario las Américas

Tradução: Graça Salgueiro